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São Martinho: castanhas e vinho

O DIA DE SÃO MARTINHO É CELEBRADO ANUALMENTE A 11 DE NOVEMBRO. DITA A TRADIÇÃO QUE EM PORTUGAL ESTE DIA É FESTEJADO COM UM GRANDE MAGUSTO DE CASTANHAS, BEBE-SE ÁGUA-PÉ E JEROPIGA. TAMBÉM POR ESTA ALTURA, O OUTONO VAI DE FOLGA PARA DAR VEZ AO “VERÃO DE SÃO MARTINHO”. CONTAMOS-LHE A LENDA E TUDO SOBRE A CASTANHA.

08.11.2018 por Célia Figueiredo

“No dia de São Martinho, pão, castanhas e vinho!”. Este é um dos muitos provérbios popular que define a tradição que em tempo de São Martinho, se faça o magusto. E o magusto, esse, não se faz sem castanhas. Exploramos a lenda de São Martinho e dissecamos a castanha.

A lenda de São Martinho

Reza a história que num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho de Tours, um soldado romano regressava a casa montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio e cobri-o com uma das partes.

Mais à frente, o soldado voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Apesar do frio e de não ter nada com que se proteger, Martinho continuou a viagem. Diz a lenda que depois disso, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu e o bom tempo prolongou-se por três dias até Martinho regressar a casa. E daí surge a expressão “verão de São Martinho”.

O dia de São Martinho – 11 de novembro – é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país. Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho.

De acordo com alguns autores, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos – 1 de novembro –, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas, para que os espíritos dos mortos da família aparecessem e as pudessem comer!

Martinho de Tours morreu a 8 de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a 11 de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.

É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Continua a acreditar-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece.

A castanha

Devido ao seu valor energético e interesse nutricional, a castanha é, provavelmente, um dos mais antigos alimentos consumidos pelos habitantes da área geográfica que hoje se designa por Europa. A árvore de onde vem a castanha é o castanheiro. Quando nasce, a castanha está protegida por uma “capa” cheia de picos – o chamado ouriço da castanha. Quando chega o outono, o ouriço abre-se, a castanha cai e apanha-se para consumo.

A castanha é constituída maioritariamente por hidratos de carbono, dos quais se destacam quantidades apreciáveis de amiloses e amilopectinas. Estes polissacarídeos permitem o desenvolvimento da flora intestinal e a produção de ácidos gordos de cadeia curta. Para além disso, as substâncias indigeríveis (fibra) estimulam a presença de bactérias probióticas (Bifidobacterium e Lactobacillus) benéficas no intestino, contribuindo também para a regulação dos níveis de colesterol e da resposta de insulina.

Quando comparada com outros frutos secos, a castanha apresenta menor teor calórico, uma vez que é pobre em gordura (e a gordura que contém é essencialmente polinsaturada) e não contém colesterol.

É uma fonte de nutrientes, nomeadamente vitaminas, minerais e compostos químicos protetores das células. Das vitaminas presentes na castanha é de realçar a vitamina C, vitamina B6 e ácido fólico. Quanto aos minerais, a castanha fornece cálcio, ferro, magnésio, potássio, fósforo, zinco, cobre, manganésio e selénio. Possui ainda diferentes fitoquímicos, nomeadamente, luteína e zeaxantina, e diversos compostos fenólicos que são importantes antioxidantes e protetores celulares.

Curiosidade

Dez castanhas assadas (84g) fornecem apenas 2g de gordura, mas 17% da quantidade de fibra necessária diariamente e estão isentas de glúten, podendo substituir os cereais com glúten, fornecendo energia de qualidade para os doentes celíacos, por exemplo. Fornecem ainda 36% das quantidades necessárias de vitamina C, 21% de vitamina B6 e 15% de ácido fólico.

A castanha na culinária

É um alimento muito versátil, em termos de confeção, podendo comer-se cozida com erva-doce, assada, como acompanhamento de pratos, substituindo o arroz, a massa ou a batata, na base de sopas ou na confeção de apetitosas sobremesas e bolos.

Bolo de castanhas
Ingredientes

250 gr de puré de castanha
4 ovos
125 gr de açúcar
1 colher de café de aroma de baunilha
1 colher de chá de fermento
margarina q.b.

Preparação

Coza as castanhas e faça um puré. Bata as gemas com açúcar durante cerca de 20 minutos. Junte o aroma de baunilha, bem como o fermento. Bata as claras em castelo e, de seguida, junte à mistura anterior.Leve ao forno numa forma já untada com margarina, durante 40 minutos.

Puré de castanhas
Ingredientes

1 kg de castanhas
750 ml de caldo de carne
Pimenta q.b.
Sal q.b.
Açúcar q.b.
Leite q.b.
1 dente de alho
1 aipo
90 gr de manteiga

Preparação

Coza as castanhas descascadas no caldo de carne com o aipo e o alho. Tempere com sal e pimenta. Quando as castanhas estiverem cozidas, escorra-as e passe-as pelo passe-vite. Deite o puré num tacho, adicione a manteiga, mexa bem e acrescente algumas colheres de leite quente, para conseguir um puré cremoso. Verifique os temperos e junte açúcar, se for necessário.

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