CRIADA POR PALTROW EM 2008, A GOOP VENDE DESDE PEDRAS QUE “AUMENTAM A ENERGIA SEXUAL DAS MULHERES” ATÉ “PÓ COMESTÍVEL QUE TRAZ SUCESSO”. NO ÚLTIMO ANO A EMPRESA TEM SIDO ALVO DE VÁRIAS DENÚNCIAS QUE DIZEM QUE MAIS DE 50 DESCRIÇÕES SÃO FALSAS E REPRESENTAM UM PERIGO PARA A SAÚDE DAS PESSOAS. A POLÉMICA ESTÁ INSTALADA…

29.08.2018 por Célia Figueiredo

Ao longo do último ano, a atriz Gwyneth Paltrow tem sido alvo de uma polémica acerca dos métodos científicos e alternativos dos produtos da sua empresa ­– a Goop, que supostamente curam problemas de saúde sem provas científicas disso.

Quer isto dizer que a Goop vende pedras e pós magicamente carregados de benefícios que nos tornam mais inteligentes e mais saudáveis. Perante estas afirmações, o desafio é: como avaliar cientificamente essas alegações?!

Fundada em 2008, a Goop começou como uma newsletter em que Paltrow, conhecida por filmes como A Paixão de Shakespeare e Homem de Ferro, dava dicas de Moda e de Beleza. Em 2011, o que era uma simples newsletter cresceu para um website, um e-commerce e o status de uma grande empresa. Para além de diversos produtos fashion, a Goop ganhou fama pelos produtos de bem-estar que vende, como pedras que prometem aumentar a energia sexual das mulheres e até um pó comestível que supostamente traz a harmonia e o sucesso para quem quiser empreender.

O facto de ser uma empresa de uma celebridade facilitou o crescimento da empresa.

Contudo, a polémica está instalada desde há um ano quando várias denúncias chegaram à Agencia de Regulação dos Unidos afirmando que mais de 50 afirmações da empresa são falsas e representam um perigo para a saúde das pessoas. Em resposta, a Goop afirmou ser um lugar para “pessoas, mulheres em particular, que estão cansadas de se sentirem mal e procuram soluções”. A empresa disse ainda que “essas mulheres não são hipocondríacas, e não deveriam ser deixadas de lado ou marginalizadas”.

Apesar de toda a controvérsia, a empresa continuou a crescer e segundo o The New York Times, a empresa de Paltrow vale, atualmente, cerca de 250 milhões de Dólares e continua a dar sinais de vitalidade.

Equipa de cientistas examina alegações

Certo é que a empresa de bem-estar fundada por Gwyneth Paltrow contratou uma equipa de cientistas para examinar as alegações feitas sobre os produtos vendidos. O objetivo é “a total transparência” nos próximos 6 a 12 meses, começando com os produtos da marca Goop, disse a Dra. Susan Beck, especialista nutricional que se juntou à empresa há dois meses como vice-presidente sénior de ciência e pesquisa.

Vale a pena lembrar que a Goop é só uma das várias empresas que disseminam com supostas “curas” para problemas de saúde que não têm nenhuma base científica. A solução, de acordo com especialistas, é contestar as informações e ensinar as crianças desde cedo a diferenciar o que é pseudociência de ciência.

A primeira tarefa da equipa de investigação da Goop foi estabelecer padrões para a divulgação de ingredientes dos próprios produtos da empresa, como os suplementos alimentares. Estas diretrizes serão alargadas a produtos de terceiros nos próximos 6 a 12 meses. Produtos de bem-estar ingeríveis – como vitaminas e suplementos de ervas – estarão sujeitos a testes mais vigorosos, e uma lista de novos produtos cujas alegações não foram devidamente documentadas estão suspensas enquanto passam pelo processo de verificação.

Embora nenhum produto tenha ainda sido removido da comercialização, certas redações nas descrições dos produtos foram retiradas. Esses produtos disponíveis também estão a passar pelo processo de verificação, de acordo com a Dra. Susan Beck, e as descrições podem ser melhoradas, com o objetivo de tornar as reivindicações mais precisas. Se um produto não puder provar seus benefícios para a saúde, a Goop trabalhará com o fornecedor para realizar os testes necessários ou mesmo remover um item definitivamente.

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